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20/06/11 - Comércio de orgânicos cresce 30% anuais no Pão de Açúcar


São Paulo - Os produtos orgânicos representam 0,54% do faturamento do setor supermercadista, mas se destacam nas prateleiras do Grupo Pão de Açúcar (GPA), no qual a meta é vendê-los em volume até 30% maior neste ano. Após altas idênticas no último triênio e um faturamento de R$ 7,5 milhões em 2010, com as mercadorias "verdes", a rede de supermercados busca apoio do governo para incentivar a produção orgânica e auxilia por conta própria pequenos agricultores.

"A demanda que nós temos de orgânicos é maior que a oferta", afirmou o diretor do GPA, Paulo Pompilio. "A partir do momento em que você consegue equalizar o preço do orgânico, o consumidor tem optado por uma alimentação mais saudável", continuou. De acordo com o executivo, o desafio do grupo é justamente este: equilibrar os valores das mercadorias orgânicas e tradicionais.

Em 2008, quando a carne orgânica passou a ser vendida nos supermercados Pão de Açúcar, a peça custava 80% a mais que a tradicional. "Em 2010, houve um boom da carne orgânica", contou a gerente de orgânicos do GPA, Sandra Caires Sabóia, segundo a qual desde o ano passado a carne diferenciada apresenta uma margem de 20% a 25% superior à comum.

Apesar desse caso, os preços continuam a ser desequilibrados em outras sessões. Na de hortifrútis, por exemplo, uma alface orgânica chega a custar 50% a mais que a tradicional; legumes, também; e as frutas, ainda mais, relatou Sandra. A gerente acredita num aumento de 15% da venda de produtos orgânicos este ano.

"A produção ainda é muito falha e a gente ainda não tem assistência técnica de campo. O próprio governo admite", apontou Sandra, que disse participar de reuniões sobre o assunto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. "O apoio do governo é extremamente importante", acrescentou.

Cerca de 130 produtores rurais, na maior parte de pequeno e médio porte, fornecem alimentos que foram cultivados sem agrotóxicos às unidades do Pão de Açúcar. Esses agricultores recebem apoio técnico da companhia, segundo Sandra, além de obterem a garantia do comércio, de acordo com o diretor Paulo Pompilio.

"No Brasil, é uma cultura nova, mas na Europa já existe há cerca de trinta anos", contou a gerente de Orgânicos. "Hoje morre muita gente jovem aplicando agrotóxico no campo. O orgânico [que dispensa o uso de agroquímicos] tem essa pegada de fazer o bem."

De cada R$ 100 vendidos pelos supermercados brasileiros, apenas R$ 0,54 são lucrados com a venda de produtos orgânicos, de acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Atualmente, os alimentos orgânicos estão presentes nas prateleiras de 27% dos estabelecimentos do setor supermercadista no Brasil.

Entre eles, figura a Cooperativa de Consumo (Coop), uma rede de supermercados administrada por funcionários e atuante principalmente em determinadas regiões do Estado de São Paulo. A Coop oferece 74 itens na linha de orgânicos - o Pão de Açúcar tem 600. Os produtos desse tipo custam de 5% a 10% a mais que os tradicionais, segundo a cooperativa.

Em nota ao DCI, a Coop diz que espera crescimento do comércio de orgânicos, mas depende da vontade das indústrias e dos produtores rurais que trabalham com o cultivo "limpo" de alimentos. Segundo dados da Associação Brasileira de Orgânicos (Brasilbio), que reúne o setor produtivo em questão, 80% dos produtores de orgânicos no País são agricultores familiares.

Segundo a Brasilbio, em 2011 os produtores devem faturar 40% acima dos R$ 500 milhões registrados no ano passado. A expectativa é chegar a R$ 700 milhões neste ano. Em todo o Brasil, há 90.497 empreendedores que produzem alimentos sem agrotóxicos, segundo o Censo Agropecuário de 2006, o último levantamento do tipo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE).


"95% da população brasileira não sabem ao certo o que é a cultura orgânica; apenas 5% fazem ideia. É preciso gerar conhecimento público sobre o assunto", defendeu a gerente de Orgânicos do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Sandra Caires Sabóia


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